Ano Eucarístico: Rezando a II Oração Eucarística

Ano Eucarístico: Rezando a II Oração Eucarística

 

D.: Daqui a pouco estaremos iniciando um novo tempo no Ano Litúrgico: o Tempo da Quaresma. Queremos nos preparar para viver este apelo de conversão que nos é dirigido da parte de Deus através da Sua Palavra proclamada pela Igreja, e queremos corresponder com amor e dedicação. Pode nos ajudar neste processo de conversão a meditação sobre a Oração Eucarística, como já tínhamos proposto. Iniciemos invocando sobre nós a Luz do Espírito Santo, para que este momento seja para todos nós, momento de Luz, de crescimento, de partilha e de comunhão… Cantemos…

(Recorda-se a reflexão sobre a Oração Eucarística I, do cenáculo de novembro)

L.1: A oração Eucarística é antes de tudo uma “escola” de teologia, mas uma escola para todos os tipos e categorias de pessoas, desde a mais simples até a mais culta, pois na medida que mergulhamos com atenção nesta grande oração podemos nos encontrar com o rosto do Deus de Jesus Cristo.

L.2: A Oração Eucarística nos diz que Deus se dá a conhecer através da História, e podemos encontrá-Lo na oração e no diálogo, através de uma experiência orante e narrativa.

H: Pouco a pouco vamos conhecendo e encontrando o rosto de Deus: o Deus de amor, o Deus Companheiro da caminhada, o Deus Redentor que assume nossa história, nossa vida, nossa fraqueza, sustentando-nos como Pai.

M: Toda oração Eucarística é precedida por um Prefácio, o qual já nos apresenta o grande Mistério que está por realizar-se.

T: O prefácio nos introduz na contemplação das obras de Deus que são o fundamento da ação de graças e do louvor da Igreja.

D.: O Deus de Israel de Jesus é um Deus que age na História, conforme a revelação do Senhor a Moisés no Monte Sinai. A Moisés que lhe pede de ver o seu rosto Deus responde: “Poderás me ver pelas costas, mas o meu rosto não pode ser visto” (Ex 33,23). Isto quer dizer que Deus só pode ser visto por trás, depois de ter passado pela história…

T: Podemos reconhecê-Lo em suas ações: quando Ele cria, liberta e salva.

L.1: Os textos das Orações Eucarísticas nunca partem da súplica, do pedido, mas sempre da ação de graças e do louvor pela ação de Deus na História da Humanidade e especialmente por aquilo que Ele realizou na Páscoa de Cristo.

L.2: A experiência orante da Igreja na Oração Eucarística nos remonta continuamente a este dado essencial da fé hebraico-cristã, aquela que também o evangelista João canta no prólogo do seu Evangelho: “Deus, ninguém jamais  O viu: o Filho Unigênito, que é Deus e está em Deus, Ele foi quem no-Lo revelou” (Jo 1,18)

L.3: É exatamente esta certeza da Presença Viva de Jesus que nos revela o Pai que proclamamos ao iniciar a Oração Eucarística confirmando que Ele está no meio de nós, e com Ele o nosso coração se eleva a Deus.

L.4: Após reconhecer que é nosso dever e salvação dar graças, o Celebrante dá as motivações da ação de graças de toda a Igreja dizendo:

H: Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo, Senhor nosso.

M: Ele é a vossa palavra viva, pela qual tudo criastes. Ele é o nosso Salvador e Redentor, verdadeiro homem, concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria.

T: Ele, para cumprir a vossa vontade e reunir um povo santo em vosso louvor, estendeu os braços na hora da sua paixão, a fim de vencer a morte e manifestar a ressurreição.

D: Como vemos. É sempre Ele, o Cristo. O Filho de Deus e Filho de Maria, que livremente estende os braços na hora da sua paixão, indicando-nos assim que ninguém tira a Sua vida, mas é Ele mesmo que, livremente, a entrega.

M: Essa entrega total de Cristo é continuamente assistida e aclamada pelos anjos e os santos, aos quais nos associamos com a aclamação do Três vezes Santo, confirmado pelas palavras solenes do Sacerdote:

H: Na verdade, ó Pai, vós sois santo e fonte de toda santidade. Santificai, pois, estas oferendas, derramando sobre elas o vosso Espírito. a fim de que se tornem para nós o Corpo e  o Sangue de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso.

L.1: A participação neste momento é de toda a Igreja representada pelos fiéis reunidos em torno do altar que renovam com fé e reverência o pedido:

T: Santificai nossa oferenda, ó Senhor!

L.2: O Sacerdote confirma mais uma vez a ação livre de Cristo ao entregar-se inteiramente à Sua Paixão, inaugurando naquela Ceia a Sua nova forma de estar presente no meio do mundo no Pão e no Vinho Consagrados:

L.3: Estando para ser entregue e abraçando livremente a paixão, ele tomou o pão, deu graças,   e  o partiu e deu a seus discípulos, e do  mesmo modo, ao fim da ceia, ele tomou o cálice em suas mãos, deu graças novamente, e o deu a seus discípulos, dizendo:

T: TOMAI, TODOS, E COMEI: ISTO E O MEU CORPO, QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS.

L.4: É importante sublinhar que neste momento quem age é o próprio Cristo, que num mistério de fé assume o lugar do Sacerdote que empresta seus lábios e sua voz quando entrega seu Corpo e seu Sangue

T: TOMAI.TODOS, E BEBEI: ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE, O SANGUE DA NOVA E ETERNA ALIANÇA, QUE SERÁ DERRAMADO POR VÓS E POR TODOS PARA REMISSÃO DOS PECADOS. FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM.

D: O gesto de tomar nas mãos o cálice e a patena e apresentar aos fiéis vem reforçar a entrega de Jesus a todos, e ao mesmo tempo, suscitar em quem está ali presente a adesão de fé, vendo no pão o Corpo do Senhor, e no vinho, o Sangue do Senhor.

T: E ali, diante dos nossos olhos se revela o grande mistério da fé!

M: E nós aclamamos que vivemos de fé e de esperança até que se cumpra a vinda definitiva do Senhor, e o fazemos com uma das três aclamações:

T: Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte, enquanto esperamos a vossa vinda!

H: O Sacerdote retoma o diálogo com o Pai, agradecendo especialmente por ter concedido a nós pecadores, de estarmos na Sua presença em atitude de serviço:

L.1: Celebrando, pois, a memória da morte e ressurreição do vosso Filho, nós vos oferecemos, ó Pai, o pão da vida e o cálice da salvação; e vos agradecemos porque nos tornastes dignos de estar aqui na vossa presença e vos servir.

T: Conscientes da nossa pequenez e indignidade pedimos ao Senhor que receba a nossa oferta, a mais pura e bela de todas, o próprio Jesus!

L.2: Ao que o Sacerdote, em nosso nome suplica para que pela participação do Corpo e Sangue de Cristo, sejamos reunidos pelo Espírito Santo num só corpo.

T: E todos nós reforçamos o pedido no desejo de que nos tornemos realmente um só corpo e um só espírito!

D: Esta Unidade se faz na Caridade e se dá na Igreja inteira, por isso o Sacerdote coloca diante do Pai o elenco de todos os cristãos no mundo inteiro, mencionando o nome do nosso Papa e do Bispo da Igreja particular ali reunida, associando a ela todos os ministros do povo de Deus.

T: Pedido este que vem reforçado pelos fiéis que suplicam:  Lembrai-vos, ó Pai, da vossa Igreja!

L.3: A oração que segue é opcional, proclamada quando há alguma intenção particular por algum irmão ou irmã falecido naqueles dias ou por um aniversário de morte. O Sacerdote diz então:

L.4:Lembrai-vos do vosso filho (da vossa filha) N., que (hoje) chamastes deste mundo à vossa presença. Concedei-lhe que, tendo participado da morte de Cristo pelo batismo, participe igualmente da sua ressurreição.

T: E nós pedimos ao Pai que conceda a este nosso irmão ou irmã contemplar a Sua face!

D: Com a consciência de que somos um único corpo, o Sacerdote pede ao Pai que se lembre de todos os (outros) nossos irmãos e irmãs que morreram na esperança da ressurreição e de todos os que partiram desta vida, acolhendo-os junto a Si na luz da Sua face.

T: E nós, Igreja em comunhão, lembrando nossos entes queridos suplicamos: Lembrai-vos, ó Pai, dos vossos filhos!

L.1: A oração Eucarística vai se concluindo recordando a nossa meta, o nosso endereço definitivo, o sentido último da nossa existência:

L.2: Enfim, nós vos pedimos, tende piedade de todos nós e dai-nos participar da vida eterna, com a Virgem Maria, Mãe de Deus, com os santos Apóstolos e todos os que neste mundo vos serviram, a fim de vos louvarmos e glorificarmos por Jesus Cristo, vosso Filho.

T: A Vida eterna é a comunhão plena com Deus e o convívio dos eleitos, graça que pedimos humildemente a Deus.

D: E esta comunhão plena sempre foi o desejo ardente de madre Ília, o que nutriu toda a sua vida, o que alimentou sua esperança a ponto de fazer dela verdadeira mulher eucarística:

L3:“Ó Jesus, faz-me santa, faz-nos santos. Eu te peço por toda a minha família, pelo meu Pai, pelos meus irmãos, por minhas irmãs. Ó Jesus, que se cumpra perfeitamente em nós a tua Vontade adorável; transforma-nos em Ti, todos. Que sejamos tua fotocópia autêntica, imagem de Ti, e de Ti Crucificado! Ó Jesus, Hóstia Santa, faz-me viver sempre, sempre perto de Ti, dia e noite, por toda a vida! Ó Maria, esconde-me sob teu manto para que o mundo não me veja e não me procure e eu possa estar sempre perto de Jesus, e perto de ti” (Diário, 11-janeiro-1922).

L.4: A Oração Eucarística se conclui com a doxologia final, o grande ofertório da Celebração Eucarística, para logo em seguida recebermos em nosso corpo a carne de Cristo, em nosso sangue o sangue de Cristo, e madre Ília continua no tempo esse ofertório santo, vivendo de Jesus e vivendo para Ele, em favor dos irmãos.

D: Essa realidade mística é sempre presente nas nossas vidas. Hoje ouviremos o testemunho de …., que confirma a Vida de Cristo em nós, no meio de nós e através de nós, sua igreja viva (a pessoa escolhida para relatar seu testemunho de vida eucarística ou seu encontro com madre Ília, deixando também por escrito. Conclui-se dando graças a Deus e rezando a oração de intercessão de Madre Ília).