Missão Franciscana em Berilo – M.G

MISSÃO EM BERILO – MG

      Dos dias 25 a 30 de setembro, Irmã Juliana responsável pelo SAV – PME juntamente com a leiga Dona América, membro do PMEL, (Pequenos Missionários Eucarísticos Leigos), participaram em uma Missão em Berilo. Minas Gerais, cidade localizada no Vale do Jequitinhonha, ao norte do estado.

A Congregação foi convidada pelos freis franciscanos da Província de Santa Crus, de Minas Gerais.

     Na pessoa de Frei Eron, coordenador do SAV da Província, juntamente com Frei Laércio Jorge, responsável pela paróquia de Berilo, foi organizada esta missão.

     Éramos um grupo pequeno de 15 missionários para tanto trabalho!

     A Missão de cunho missionário vocacional consistiu em visitas ás famílias, doentes,encontro com jovens, escolas, comunidades rurais (sertão) e nas cidades de Lelivéldia que pertence a Berilo.

     Dona América com outra Irmã atuou em Lelivéldia, onde realizaram encontros com estudantes, visitas aos doentes e famílias, com professores etc.

Irmã Juliana atuou no sertão, na zona rural, como eles falavam, em três comunidades sendo estas quilombolas com reconhecimento nacional, por manter ainda hoje a cultura trazida pelos negros e especialmente dos escravos.

     As comunidades que a Irmã Juliana atuou chamam-se Caetitu do Meio, Caetitu do Alto e Mocó.

Nelas realizou visitas aos doentes, idosos, encontros com as comunidades, celebração, escolas etc.

As distâncias percorridas eram longas, muitas vezes gastando aproximadamente 40 minutos a 1 hora para encontrar uma casa no meio do mato, na seca. Pelo caminhos quantos riachos rios, córregos totalmente secos, ficando apenas os vestígios de um lugar que um dia passou tanta água…

     E até pequenas barragens eu encontrei totalmente desativadas, secas…

     A região belíssima, formada por tantas pedras, tipo granito, mármore…

     Porém uma vegetação bastante seca, cinza, mas era possível notar a aurora da Primavera em algumas árvores que corajosamente esforçavam-se por florir e esverdear-se…

     Minas Gerais é um estado muito bonito, suas serras, montes e picos elevados confere uma beleza sem igual!

     Sendo assim não obstante a sequidão o Vale do Jequitinhonha é lindo, e o que lhe dá maior beleza é a sua gente, povo simples, pobre na verdade, mas não miserável, como eles mesmo dizem, e doe naquele povo carregar o rótulo que a mídia colocou sobre eles que o Vale do Jequitinhonha é o vale dos Miseráveis, com vigor eles rebatem dizendo que não é verdade, existe pobreza sim, como em tantos outros lugares, a escassez da água é um agravante que dificulta muita as coisas, a vida, a própria localização geográfica, com tantas serras e o solo seco dificultam o acesso a tantas coisas, porém eles são conscientes agora que lá na verdade é o Vale dos Inocentes, pois eles foram e ainda são ainda hoje explorados devido às riquezas naturais que sempre existiu naquela região sobretudo na época áurea da história de Minas Gerais, quando toneladas e toneladas de ouro e pedras preciosas foram arrancadas daquela terras sem dó e compaixão tanto do solo como especialmente daquela gente que em regime de escravidão tiveram suas forças desgastadas para enriquecerem uma minoria gananciosa e exploradora!

     E foi o que eu vi, uma gente boa, dedicada, acolhedora, amiga, cheia de fé em Deus, na vida, que não reclama e nem se fazem de vítima, que são felizes, gostam de festa, do amor, da amizade, que graças a Deus em todas as casa que eu visitei encontrei o básico e necessário para uma vida digna. Mas o que percebi é ainda hoje um descaso com aquela região que necessita ainda tanto de cuidados, recursos, ajuda humanitária para a formação humana em todos os sentidos, saneamento básico, segurança, maior assistência a saúde, aos idosos, atenção as crianças e jovens que infelizmente não tem muito que fazer por lá ficam ociosos e acabam na maioria deixando o sua cidade para buscar maiores e melhores condições de vida em cidades grandes como São Paulo, Belo Horizonte.

É muito comum encontrar em casa somente a mulher com os filhos, ou ainda somente os pais, que muitas vezes são idosos e doentes sozinhos, pois os homens, como também muitas mulheres, especialmente as jovens, e os jovens vão para fora em busca de um futuro melhor!

     Por isso lá no Vale as mulheres, especialmente da zona rural, são conhecidas como “As viúvas da seca” ou “Viúvas de marido vivo”, pois elas passam a maior parte do ano sozinha cuidando de tudo, filhos, casa, lavoura, animais, etc. sozinhas, porque o marido está normalmente no interior de São Paulo no corte de cana,colhendo laranjas ou café.

     Em relação à água hoje Rio Araçuaí, que é um dos afluentes do Rio Jequitinhonha, é o principal meio de vida daquele região, é ele que abastece toda a cidade de Berilo e região. Dele se tira tudo para a sobrevivência, desde a água para beber como para lavar o roupa nele mesmo quando as bombas falham e não conseguem mandar água pra as torneiras… É comum ver mulheres lavando roupa no rio…

O problema é que o Rio Araçuaí está abaixando o seu nível…

Segundo eles o Rio já foi muito mais volumoso e vivo, realmente ele está praticamente no leito, bem abaixo do era o seu nível natural.

Rezemos para que este único rio que mantém a vida daquele povo não seque!

     Enfim, foi uma bela e desafiante aventura, agradeço imensamente a Deus por ter-me concedido esta oportunidade de encontrá-Lo lá no Vale do Jequitinhonha! Na vida e na história de tantas e tantas pessoas, por tudo o que Ele me mostrou nesta missão…

     Agradeço de coração a Congregação, na pessoa da Irmã Helenice, nossa Delegada, pelo convite a mim e a Dona América, pela confiança e apóio fraterno!

     Agradeço ainda de maneira especial o testemunho incansável do Frei Laércio, um jovem franciscano que está gastando a sua vida em prol do anúncio do Evangelho em meio aquele povo sofrido e explorado, que está com o seu jeito alegre, firme e terno conquistando o povo novamente para Deus e para a vivência em comunidade.

     Agradeço finalmente o povo berilense, Berilo, “Pedra Royal”, ficará eternamente gravada em nossos corações, pela acolhida, fraternidade e ousadia na luta e na alegria da festa!

     Que o Bom Pai e Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Berilo, continuem a abençoar aquele povo tão querido!

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