Cenáculo Eucarístico – Ano da Misericórdia

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CENÁCULO EUCARÍSTICO – FEVEREIRO: “EIS QUE ESTOU À PORTA E BATO”

“Eis que estou à porta e bato, se alguém abrir, cearei com ele e ele comigo. Eu sou o alfa e o ômega, o princípio e o fim”

D.: Queridos irmãos e irmãs, parece-me muito oportuno abrir o ano 2016 sob o sinal da “porta aberta”, que nos chama a tantos belos aspectos da nossa caminhada histórica e da nossa vida. No final do Ano 2012 ao 2013, nosso Papa emérito Bento XVI nos convidava a abrir a porta da Fé, e com suas palavras e orientações nos introduziu a uma reflexão viva e concreta da importância de “viver a Fé” em Cristo Jesus, tendo como referência necessária na nossa vida cristã, a Palavra de Deus, ao redor da qual devem girar todas as nossas atitudes e atividades.

L.1: Este Ano da Fé já nos preparava, para os grandes acontecimentos aos quais fomos introduzidos no decorrer desses anos, inclusive o da renúncia do Papa, abrindo para nós, povo de Deus, um novo tempo com a chegada de Papa Francisco.

L.2: Por sua vez, Papa Francisco pede constantemente que abramos as portas do nosso coração para ir ao encontro dos nossos irmãos e irmãs nas várias  periferias existenciais que nos interpelam dia a dia, perto e distante de nós.

D.: E em 8 de dezembro de 2015 ele nos convidou a passarmos da Porta da Fé às Portas da Misericórdia abrindo-nos ao Ano Santo da Misericórdia!

T: Em todas as Igrejas Particulares e Santuários das nossas Dioceses espalhadas pelo mundo eis que se abrem as portas da misericórdia!

L.3: “Neste Ano Santo, poderemos fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática. Quantas situações de precariedade e sofrimento presentes no mundo atual! Quantas feridas gravadas na carne de muitos que já não têm voz, porque o seu grito foi esmorecendo e se apagou por causa da indiferença dos povos ricos. Neste Jubileu a Igreja sentir-se-á chamada ainda mais a cuidar destas feridas, aliviá-las com o óleo da consolação, enfaixa-las com a misericórdia e trata-las com a solidariedade e a atenção devidas. Não nos deixemos cair na indiferença que humilha, na habituação que anestesia o espírito e impede de descobrir a novidade, no cinismo que destrói. Abramos os nossos olhos para ver as misérias do mundo, as feridas de tantos irmãos e irmãs privados da própria dignidade e sintamo-nos desafiados a escutar o seu grito de ajuda. As nossas mãos apertem as suas mãos e estreitemo-los a nós para que sintam o calor da nossa presença, da amizade e da fraternidade. Que o seu grito se torne o nosso e, juntos, possamos romper a barreira de indiferença que frequentemente reina soberana para esconder a hipocrisia e o egoísmo” (MV 15).

D: Para refletir:  – Estamos atentos e atentas a estes apelos constantes? Somos realmente abertos, sintonizados em Deus a ponto de perceber as necessidades dos nossos irmãos e irmãs que vivem ou passam por nós todos os dias? A minha Fé, é percebida através das obras de bem que realizo?

O Papa fala de aperto de mão, de contato pessoal, de encontro, de afeto… Entendemos que também passa por isso a regeneração amorosa da humanidade de que tanto fala madre Ília?

(Silêncio reflexivo…  –   canto  penitencial)

L.1: Todos podem ter acesso ao abraço misericordioso de um Deus amoroso que se debruça em compaixão para acolher no seu ventre ‘materno-paterno’ os filhos que estão distantes do coração do Pai.

L.2: E nós nos colocamos também em primeira pessoa, para suplicar o seu perdão, pedir que venha sempre ao nosso encontro como o pastor que vai à procura da ovelha perdida…

T: E quantas vezes fizemos a experiência de nos sentimos como a ovelha que é tomada nos braços, resgatada da maldade de um mundo que nos arrasta para longe de Deus, e com alegria do Bom Pastor, somos trazidos de volta para o banquete da Vida!

(Fixar por um momento o cartaz do Ano da Misericórdia… em silêncio… segue-se um canto apropriado)

D.: Mas uma outra porta se abre ainda para nós no início deste ano: a porta da Quaresma, através da qual nos adentramos mais uma vez ao conhecimento do amor unilateral de Deus que fielmente mantem a Aliança conosco, resgatando-nos das nossas infidelidades e oferecendo-nos, como preço de nossa Salvação o Seu próprio Filho.

L.A: Nele, Deus Pai cancela toda dívida de amor que temos para com Ele. Em Jesus, o Pai escancara a porta do seu coração deixando definitivamente livre a porta de entrada ao convívio e à comunhão com Ele.

L.B: A abertura da Quaresma se dá para nós de modo muito especial com um novo apelo: o ‘cuidado da nossa Casa comum’, lembrando o grande desejo de Deus de ver nosso mundo como lugar de vida e vida plena para todos.

T: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24)

L.1: O capítulo cinco de Amós é o coração da mensagem do profeta que assume de um lado o desejo de Deus e do outro lado o grito de quem sofre com a indiferença e injustiça dos iníquos que pensam somente em si.

T: Se repete para nós, no entanto um grande apelo de conversão:

L.A: primeiramente nos coloca diante de nossa prepotência em querer contar com nossas próprias forças e meios para levarmos adiante o nossos projetos:

L.B: “Pois assim diz o Senhor à casa de Israel: A cidade quer punha em campo mil guerreiros, ficará apenas com cem; aquela que saía com cem, ficará apenas com dez” (Am 5,3).

L.2: E ainda a esses poucos que restam diz o Senhor: “Procurem a mim, e vocês viverão. Não procurem Betel, não façam romarias a Guilgal, nem corram para Bersabéia”… porque “Ai dos que transformam o direito em veneno e atiram a justiça por terra” (Am 5,4-5.7)

T: Amós dá a explicação porquê não se deve buscar e confiar em outros deuses:

L.1: “Porque é Ele quem fez as Plêiades e o Órion, é ele quem transforma as trevas em aurora, o dia em noite escura. Ele convoca as águas do mar para inundar a face da terra. Seu nome é Javé. É Ele quem determina a invasão da fortaleza” (Am 5,8-9).

D.: Nós estamos assistindo de vários modos as consequências da ação do ser-humano em relação à vida e à natureza; uma ação egoísta e enganosa, desrespeitosa e cruel. Quando determinamos nossa ação sem ter como referência a fonte original da vida que é Deus, nos tornamos tiranos a construir monstros e monstruosidades para os mais fracos e para o futuro dos nossos filhos.

L.2: E sobe então insistente o apelo de Deus pela boca do profeta: “Procurem o bem e não o mal; então vocês viverão.

T:  Odeiem o mal e amem o bem; restabeleçam o direito no tribunal. Quem sabe assim o Senhor terá misericórdia do resto de Javé” (Am 5,14-15)

D.: O texto segue apontando as graves consequências dessa infidelidade a Deus, que se reverte na vida cotidiana.

Mas quem é Israel? O que significa ser Povo de Deus?

L.1: Israel é uma pequena parcela da humanidade que ouviu a voz de Deus, que aceitou o seu convite de Aliança, que deixou-se ser amado por Deus e que por sua vez, se tornou, diante de todos os povos e nações o sinal dessa Aliança e desse amor para com todos, mediante a fidelidade ao Deus Único e Verdadeiro, Criador do céu e da terra.

L.2: Mas Israel também falhou, também inventou para si deuses estranhos, obras de mão humana, correu atrás de cultos estrangeiros e esqueceu-se das lições do amor para com Deus e para com os irmãos, e se revestiu com as vestes da hipocrisia:

L.3: “Eu detesto e desprezo as festas de vocês; tenho horror dessas reuniões. Ainda que vocês me ofereçam sacrifícios, suas ofertas não me agradarão, nem olharei para as oferendas gordas. Longe de mim o barulho de seus cânticos, nem quero ouvir a música de suas liras. Eu quero, isto sim, é ver brotar o direito como água e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,21-24).

D.: Povo de Deus ontem, povo de Deus hoje! O apelo desta Campanha da Fraternidade se revela forte para nós, nós que conhecemos o verdadeiro Deus, que fizemos experiência do seu amor, que recebemos a missão de cuidar e cultivar a terra, de estabelecer o direito e a justiça, implantando seu Reino no mundo.

L.A: Nós que temos a missão de viver os gestos e as palavras de Jesus na Última Ceia, eucaristizando os dons da natureza e a comunhão com os irmãos; perdoando-nos mutuamente e lavando-nos os pés uns dos outros na atitude de serviço do Mestre.

L.B: Mais do que nunca nosso carisma se faz necessário! Mais do que nunca sentimos a necessidade de agir para regenerar no amor os irmãos para que cuidem da nossa Casa comum, possibilitando vida segura para todos.

L.3: “A criação encontra sua maior elevação na Eucaristia. A graça, que tende a manifestar-se de modo sensível, atinge uma expressão maravilhosa quando o próprio Deus, feito homem, chega ao ponto de fazer-se comer pela sua criatura. No apogeu do mistério da Encarnação, o Senhor quer chegar ao nosso íntimo através de um pedaço de matéria. Não o faz de cima, mas de dentro, para podermos encontrá-Lo no nosso próprio mundo.

A eucaristia é por si esma, um ato de amor cósmico, porque mesmo quando tem lugar no pequeno altar de uma igreja da aldeia,  a  Eucaristia é sempre celebrada, de certo modo, sobre o altar do mundo. A Eucaristia une o céu e a terra, abraça e penetra toda a criação. O mundo saído das mãos de Deus, volta a Ele em feliz e plena adoração: no Pão Eucarístico, a criação propende para a divinização” (Laudato si… n. 236).

– Partrilhando a vida: Consigo entender esta dimensão cósmica da Eucaristia? Já havia pensado nisso antes?

(partilha em grupo ou de dois a dois)

D.: Peçamos o auxílio de madre Ília, ela que apreciava a calma do mar como lugar de encontro com Deus, e que sentia seus apelos no grito de todo pequeno, pobre e aflito; peçamos para que interceda por nós, pelos governantes dos povos, pelos que exercem o poder sobre as Políticas Públicas para que acolham também eles o convite de Deus pela voz da Igreja neste Tempo Quaresmal e tenham a coragem de abandonar o mal e escolher o Bem, de plantar o direito e a justiça.

T: Senhor Jesus, Luz radiosa da eterna glória do Pai. Tu acendeste no coração da tua serva, madre Ília Corsaro, um profundo amor pela eucaristia, e a tornaste com a graça do teu Espírito, testemunha audaz da tua caridade para com os pequenos e aflitos de coração, fazei-nos participantes da sua fé ardente e da sua ternura de mãe, e por sua intercessão, dá-nos a graça que pedimos com confiança…

D.: Que o Senhor nos acompanhe neste tempo santo, e que nos ilumine para que nossas vidas sejam portas abertas para permitir o acesso a Ele: Caminho – Verdade e Vida.

Que Deus nos abençoe a todos. Amem!  Ir. Cida,pme